tudo nela se doava
tudo nela se doía
10.11.12
quase
a minha maior tragédia foi não ter vivido nenhuma tragédia.
agora corro em círculos em busca de qualquer ação que a vida possa me oferecer. eu me atiro da janela, eu grito, eu perco a voz e me perco. eu busco mais e me busco, eu sonho e não me lembro.
uma tragédia me faria escrever de verdade. não esse lixo todo que não me satisfaz, seria biógrafa dos meus dramas, amante dos meus pecados. uma tragédia jusificaria minha dor, explicaria meus anseios, calaria meu turbilhão. tragicamente, eu encontraria um foco.
qualquer quase morte como assunto, qualquer assunto que não me faça sentir uma fraude entre os artistas e reais sofredores, qualquer causa para a minha rebeldia.
qualquer quase morte para a minha quase vida.
agora corro em círculos em busca de qualquer ação que a vida possa me oferecer. eu me atiro da janela, eu grito, eu perco a voz e me perco. eu busco mais e me busco, eu sonho e não me lembro.
uma tragédia me faria escrever de verdade. não esse lixo todo que não me satisfaz, seria biógrafa dos meus dramas, amante dos meus pecados. uma tragédia jusificaria minha dor, explicaria meus anseios, calaria meu turbilhão. tragicamente, eu encontraria um foco.
qualquer quase morte como assunto, qualquer assunto que não me faça sentir uma fraude entre os artistas e reais sofredores, qualquer causa para a minha rebeldia.
qualquer quase morte para a minha quase vida.
17.7.12
despedidas
cena I - junho.
sol chegando, trem partindo.
tudo que era pra ser ficando na estação.
cena II - o inverno já era fato.
augusta.
fim de noite, mas em são paulo nenhum momento parece o fim.
o cara que tem resposta para tudo e não pergunta demais.
a moça que fala muito e não diz nada.
_eu fui o amor da sua vida por uma noite
_(você foi o amor da minha vida por uma semana)
sol chegando, trem partindo.
tudo que era pra ser ficando na estação.
cena II - o inverno já era fato.
augusta.
fim de noite, mas em são paulo nenhum momento parece o fim.
o cara que tem resposta para tudo e não pergunta demais.
a moça que fala muito e não diz nada.
_eu fui o amor da sua vida por uma noite
_(você foi o amor da minha vida por uma semana)
27.6.12
a noite é uma vadia
uma puta suja
uma acompanhante paga
que sempre me cobra no final
vem sem maldade
esvazia meus bolsos
me deixa bêbado
sem casa
sem hora
senhora
a noite é uma vadia perversa que não me deixa dormir
tão linda
tão fria
tão minha
tão de todos
e de ninguém
20.1.12
10.1.12
faz frio e venta ou chove e faz calor. a janela se mantém fechada.
fico doente do tempo: das temperaturas e dos relógios.
fico enferma de tanto me fechar.
não por causa do frio e das dores de garganta, da tosse que me engasga; me fecho em fuga, em correria, me guardo das pessoas e das responsabilidades.
não posso com as obrigações de ter alguém.
23.12.11
reflexo
eu tenho pena de você
da sua boca manchada de pressa
dos seus olhos carregados de maquiagem e água
do sorriso que já não sabe mentir
eu tenho pena de você
que me encara de frente
que me engole e me decifra
que me julga sem cuidado
eu tenho pena de você
sem saber que pena é tristeza.
fico triste por você
fico triste por mim.
6.12.11
3.7.11
O dia em que matei meu pai
Eu precisei fazer isso. Não é da minha natureza, eu sei, foi instinto, foi loucura, foi momento e nada justifica, entendo, mas ouça o que eu estou tentando dizer: que morte não é fim, é transporte e às vezes matar alguém é a forma mais bonita de colocar essa pessoa num lugar digno e respeitável.
Ele estava na minha frente e fazia frio, ele ria do meu futuro, ridicularizava minhas escolhas e mais uma vez (como eu odeio esse homem, como eu odeio ele) seu corte de cabelo me irritou, seu nariz, meus traços distorcidos em seu rosto (eles riam de mim, não pude evitar), tudo aquilo que eu tentei mudar pra apagar sua existência, gritava. Eu não queria a genética em evidência, sua voz, sua fala pausada, oh, o que eu fiz, me diz, me ajuda a fugir. Pra não destruir tudo, só pude destruir.
Por muitos anos vivi uma culpa que não me cabia, culpa vã, triste. Não amava meu pai e sofria por acreditar imoral. Mas você tem que amar, diziam, é seu pai. Como se o simples fato de fornecer material genético o livrasse de seus pecados, como se uma noite de sexo perdoasse sua ausência. Mas mesmo o amor familiar é conquista, a convivência talvez o crie, mas a falta de intimidade destrói. Nunca amei, não mereceu, não mereceu nada que viesse de mim.
E eu estava perto demais, o silêncio que era meu tesouro estava quebrado (quem mandou entrar nos meus pensamentos?), seus olhos refletiam minhas falhas, minhas fraquezas, todo o amor excessivo que eu espalhei por me faltar, minha cegueira emocional (tive vontade de vomitar e não tinha comido, nem colocar pra fora eu conseguia), quanta merda eu fiz, quanta gente bagunçou minha vida, me machucou e eu deixei, quanta falta de tato em relações e relacionamentos e é tudo culpa sua. Você e sua vida infeliz, você e seus olhos sem amor, seu coração gelado. Por que você não morreu antes? Por que eu precisei fazer isso, por que minhas mãos é que tiveram que se sujar com seu sangue nojento? O mesmo que o meu e tão sujo. Tudo que vem de você é sujeira e eu precisei ver sua vida ir embora na minha frente pra acreditar que finalmente estava livre. E você continua nos meus sonhos. Infeliz. Vá logo das lembranças, eu te exorcizo, eu te expulso, não te quero.
Matar você foi a melhor coisa que eu já fiz. E a pior. E com tudo o que você já me fez passar, com cada conto de merda, resumo a obra pro mundo: meu pai morreu. Acidente. Já faz tempo, tudo bem. Não se preocupa, já passou. É, eu contaria essa história.
Não tenho vocação pra filha desamparada e aquele homem ria do que não tinha graça. O que eu poderia fazer? Eu diria que ele fez Édipo ter sentido, que distorceu a imagem de herói na minha cabeça, que me fez desconfiar até das melhores intenções e que é um filho da puta que eu odeio, mas nada disso faria sentido, nada disso afetaria sua arrogância. É desse sorriso que eu tenho mais ódio, como pode sorrir alguém que faz mal aos outros, como pode ser que não exista justiça divina ou qualquer merda dessas? Porque se o castigo dele é a solidão, porra, estou sendo castigada também e essa merda não devia acontecer. Ir pro buraco e me arrastar junto, isso é errado. Assim como é errado o que eu fiz.
Vi o sangue ir todo embora e manchar o chão e manchar meu dedos, assisti seus olhos se revirando, mais vivos do que nunca e tudo isso começou a doer em mim. E então era eu quem sangrava e dos meus olhos saiam as lágrimas (ele não as possuia, por defeito de corpo ou de caráter). Doeu tanto em mim porque eu percebi que jamais conseguiria ser igual a ele, por isso não poderia matá-lo. Eu não fui até o fim.
Acordei com o rosto vermelho de choro, o travesseiro úmido, o coração apertado. Um novo pesadelo e o mesmo pai ausente. E vivo. De sempre. De nunca mais.
Ele estava na minha frente e fazia frio, ele ria do meu futuro, ridicularizava minhas escolhas e mais uma vez (como eu odeio esse homem, como eu odeio ele) seu corte de cabelo me irritou, seu nariz, meus traços distorcidos em seu rosto (eles riam de mim, não pude evitar), tudo aquilo que eu tentei mudar pra apagar sua existência, gritava. Eu não queria a genética em evidência, sua voz, sua fala pausada, oh, o que eu fiz, me diz, me ajuda a fugir. Pra não destruir tudo, só pude destruir.
Por muitos anos vivi uma culpa que não me cabia, culpa vã, triste. Não amava meu pai e sofria por acreditar imoral. Mas você tem que amar, diziam, é seu pai. Como se o simples fato de fornecer material genético o livrasse de seus pecados, como se uma noite de sexo perdoasse sua ausência. Mas mesmo o amor familiar é conquista, a convivência talvez o crie, mas a falta de intimidade destrói. Nunca amei, não mereceu, não mereceu nada que viesse de mim.
E eu estava perto demais, o silêncio que era meu tesouro estava quebrado (quem mandou entrar nos meus pensamentos?), seus olhos refletiam minhas falhas, minhas fraquezas, todo o amor excessivo que eu espalhei por me faltar, minha cegueira emocional (tive vontade de vomitar e não tinha comido, nem colocar pra fora eu conseguia), quanta merda eu fiz, quanta gente bagunçou minha vida, me machucou e eu deixei, quanta falta de tato em relações e relacionamentos e é tudo culpa sua. Você e sua vida infeliz, você e seus olhos sem amor, seu coração gelado. Por que você não morreu antes? Por que eu precisei fazer isso, por que minhas mãos é que tiveram que se sujar com seu sangue nojento? O mesmo que o meu e tão sujo. Tudo que vem de você é sujeira e eu precisei ver sua vida ir embora na minha frente pra acreditar que finalmente estava livre. E você continua nos meus sonhos. Infeliz. Vá logo das lembranças, eu te exorcizo, eu te expulso, não te quero.
Matar você foi a melhor coisa que eu já fiz. E a pior. E com tudo o que você já me fez passar, com cada conto de merda, resumo a obra pro mundo: meu pai morreu. Acidente. Já faz tempo, tudo bem. Não se preocupa, já passou. É, eu contaria essa história.
Não tenho vocação pra filha desamparada e aquele homem ria do que não tinha graça. O que eu poderia fazer? Eu diria que ele fez Édipo ter sentido, que distorceu a imagem de herói na minha cabeça, que me fez desconfiar até das melhores intenções e que é um filho da puta que eu odeio, mas nada disso faria sentido, nada disso afetaria sua arrogância. É desse sorriso que eu tenho mais ódio, como pode sorrir alguém que faz mal aos outros, como pode ser que não exista justiça divina ou qualquer merda dessas? Porque se o castigo dele é a solidão, porra, estou sendo castigada também e essa merda não devia acontecer. Ir pro buraco e me arrastar junto, isso é errado. Assim como é errado o que eu fiz.
Vi o sangue ir todo embora e manchar o chão e manchar meu dedos, assisti seus olhos se revirando, mais vivos do que nunca e tudo isso começou a doer em mim. E então era eu quem sangrava e dos meus olhos saiam as lágrimas (ele não as possuia, por defeito de corpo ou de caráter). Doeu tanto em mim porque eu percebi que jamais conseguiria ser igual a ele, por isso não poderia matá-lo. Eu não fui até o fim.
Acordei com o rosto vermelho de choro, o travesseiro úmido, o coração apertado. Um novo pesadelo e o mesmo pai ausente. E vivo. De sempre. De nunca mais.
2.7.11
Capítulo I | L. (série Retrato)

Na fotografia, a moça é todo dia a mesma. Delicada com seus cabelos escuros, é jovem para sempre. O papel que carrega a imagem está desgastado num efeito melancólico do tempo e da câmera analógica. O preto e o branco fazem festa e se combinam em tons coloridos de cinza, só para vê-la brilhar.
A velha olha e não se encontra. Talvez os olhos - duas peças tristes que não se encaixam no retrato - façam sentido. Duas esferas escuras de dor onde o riso foi destaque. Sempre estiveram ali, pregadas em seu rosto, lembrando ao espelho o que nunca seria possível.
Não se iluda, dizia seu reflexo, você nunca será como as outras pessoas. Jamais verá leveza na vida. Jamais preencherá o vazio que há no seu peito. A moça, tola, ouviu. Aceitou. Numa de suas tentativas nulas de tapar o buraco do coração, conheceu o uísque.
Esqueceu-se das festas, abandonou a pintura, enconstou o violão e não notou as cordas que desafinaram e juntaram poeira. O rosto que se perdeu das cores, os dissabores, a incompletude. A fotografia se tornou um resumo de tudo o que L. havia deixado de apreciar. Se o álcool a mantinha em pé, qualquer outra coisa era capaz de derrubá-la. E num crime hediondo do mundo, andar se tornou um desafio, tal como se divertir ou sorrir.
Os filhos, o marido, os amigos: ninguém foi capaz de despertar em L. a vontade de viver. A vida era apenas uma pedra incômoda em seu sapato, um obstáculo que ultrapassava penosamente para chegar ao fim da linha. Queria a paz de beber até dormir, secar as lágrimas no travesseiro, queimar os lençóis com a ponta do cigarro sem ser incomodada por pessoas preocupadas. Entendia o amor como causa disso tudo, mas buscava a solidão com empenho suficiente pra sentir-se ofendida com a companhia.
A fotografia - todo dia a mesma - é tudo o que resta de concreto sobre L.
Alguns, poucos, lembram de seu riso. Outros comentam sua presença silenciosa no canto das confraternizações, sua voz serena e rouca, suas mãos pequenas, a delicadeza de seus passos. São lembranças que se extinguem. Memórias que se esfarelam vagarosamente enquanto todos dormem. O tempo apaga, como tenta apagar a fotografia. Hoje, dói admitir, é notável como ele vai conseguir. E começou pelos olhos, as duas peças tristes, as esferas escuras de dor.
6.4.11
desconexo
solidão não é o frio da cama vazia
solidão é o frio da festa lotada
quando não tem ninguém
estar sozinho não é viver em um espaço vazio
é ter um espaço vazio vivendo dentro de si
quando não tem ninguém
são as conquistas sem ter com quem dividir
e essa madrugada gelada
e a vida incompleta
quando não tem ninguém
solidão é ter muito o que dizer mas não ter com quem falar.
escrever é falar com ninguém
e as palavras são a forma mais cruel da solidão.
solidão é o frio da festa lotada
quando não tem ninguém
estar sozinho não é viver em um espaço vazio
é ter um espaço vazio vivendo dentro de si
quando não tem ninguém
são as conquistas sem ter com quem dividir
e essa madrugada gelada
e a vida incompleta
quando não tem ninguém
solidão é ter muito o que dizer mas não ter com quem falar.
escrever é falar com ninguém
e as palavras são a forma mais cruel da solidão.
5.4.11
15.2.11
atriz
_Você devia ser atriz - ele disse mais tarde.
_Por quê?
_(porque eu consigo ver suas mentiras estampadas nos cartazes de cinema e seus dramas proclamados na televisão, o palco preenchido com sua voz e sua história fingida, porque você me olha e não está aqui, seu olhar foge, sua mente passeia por sei lá onde e seu coração inexistente não bate)... Não sei. Foi uma ideia. Acho que você leva jeito.
E ela sorriu incógnita, porque ele nem desconfiava do quanto ela já estava atuando naquele momento.
_Por quê?
_(porque eu consigo ver suas mentiras estampadas nos cartazes de cinema e seus dramas proclamados na televisão, o palco preenchido com sua voz e sua história fingida, porque você me olha e não está aqui, seu olhar foge, sua mente passeia por sei lá onde e seu coração inexistente não bate)... Não sei. Foi uma ideia. Acho que você leva jeito.
E ela sorriu incógnita, porque ele nem desconfiava do quanto ela já estava atuando naquele momento.
24.1.11
2.1.11
26.12.10
19.12.10
3.11.10
Bailarina
Rodopiou em seu equilíbrio e desenhou uma esfera ao seu redor. Mais uma vez acabou na redoma invisível com lugar para uma só pessoa. Quis dividir o espaço e não tinha a quem chamar, gritou e ninguém respondeu. Tirou as sapatilhas, jogou contra a parede com a maior força do mundo, acertando o espelho que rachou em milhões de pedaços.
Tinha o coração cansado e os pés moídos de ensaios sem apresentações, tinha os sentidos fartos de tanto se guardarem para o final que nunca chegava. Conhecia bem a dor de quem dança sozinho uma dança de se dançar a dois. Conhecia o medo e a ilusão como se estes fossem seus grandes companheiros da vida.
Invejou a simplicidade daqueles que desconhecem seus próprios pensamentos. Por um momento quis cair sem encontrar chão pelos próximos 20 segundos, talvez mais. Desejou um pouco de adrenalina e medo da morte pra se sentir viva, depois sorriu por sabê-lo absurdo.
Buscou as sapatilhas do outro lado do salão, guardou na bolsa e calçou os tênis. Viu seu reflexo rachado e sentiu-se bonita cortada em vários pedaços. Pensou que essa imagem era mais real do que qualquer outro espelho, dividida em partes e partida ao meio. Espetou o dedo na ponta de um caco afiado só para ver o vermelho formar uma bolha. Apagou as luzes, apagou as memórias. Vestiu um sorriso e foi pra casa fingir que tudo estava bem.
Tinha o coração cansado e os pés moídos de ensaios sem apresentações, tinha os sentidos fartos de tanto se guardarem para o final que nunca chegava. Conhecia bem a dor de quem dança sozinho uma dança de se dançar a dois. Conhecia o medo e a ilusão como se estes fossem seus grandes companheiros da vida.
Invejou a simplicidade daqueles que desconhecem seus próprios pensamentos. Por um momento quis cair sem encontrar chão pelos próximos 20 segundos, talvez mais. Desejou um pouco de adrenalina e medo da morte pra se sentir viva, depois sorriu por sabê-lo absurdo.
Buscou as sapatilhas do outro lado do salão, guardou na bolsa e calçou os tênis. Viu seu reflexo rachado e sentiu-se bonita cortada em vários pedaços. Pensou que essa imagem era mais real do que qualquer outro espelho, dividida em partes e partida ao meio. Espetou o dedo na ponta de um caco afiado só para ver o vermelho formar uma bolha. Apagou as luzes, apagou as memórias. Vestiu um sorriso e foi pra casa fingir que tudo estava bem.
2.11.10
sereia
Às vezes a impressão que tenho é que estou nadando com um objetivo muito claro: o lado mais fundo do oceano. Eu nado, nado, nado simplesmente pra conferir se tenho um motivo pra nadar.
Eu que sou sereia, não posso me dar ao luxo de morrer afogada.
Eu que sou sereia, não posso me dar ao luxo de morrer afogada.
8.10.10
Dona Ana e o Marido.
"Fui eu quem convidei ele para ir ao cinema na primeira vez que saímos. Naquela época não era nem um pouco comum. E eu nem gostava de cinema, gostava era de dançar. Ficamos muito amigos primeiro, foram alguns meses de passeios, mas acabamos namorando. Eu ficava resistindo porque ele era tímido e eu gostava de sair. Mas daí pensei: no baile vão sempre as mesmas pessoas, é sempre a mesma coisa. E o Índio, o moço por quem eu era apaixonada, não gostava de mim, só do jeito que eu ia vestida nas festas - você entende o que eu quero dizer. Resolvi dar uma chance e parei de sair pra dançar. Não me arrependi, porque quando a gente sabe que é amor, algumas coisas são mais importantes.
O que eu mais gostava nele era quando a gente pegava ônibus. Ele tinha os ombros largos assim, fortes. E eu achava lindo os ombros sobrando dos lados do encosto do banco. E os cabelos escuros. Hoje ele é quase careca, mas ele tinha os cabelos lindos. Menina, se eu te mostrasse uma foto da época do nosso casamento, quando a gente foi pra praia, você não ía acreditar!
Nós ainda somos apaixonados. São 33 anos de casados depois de 9 e meio de namoro. E eu continuo apaixonada por ele. Sabe o que eu gosto no meu marido? O cheiro da pele. Eu gosto do cheiro da pele dele. Sabe que quando ele dorme e vira de costas, eu não viro as costas pra ele. Às vezes eu aproximo o rosto só pra sentir o cheiro da pele.
Ele é o homem da minha vida. Não vou dizer que tudo é perfeito, nós somos um casal. Ontem mesmo ele estava afoito, sabe quando a pessoa fica andando de um lado para o outro da casa sem saber o que tem de errado? Nós sempre tomamos café juntos quando eu chego do trabalho e ele esqueceu de comprar pão, daí me perguntou se podia por a mesa do jantar. Eu falei 'Marido, mas eu nem coloquei o arroz no fogo ainda!'. Mas acho que era só porque estava chovendo e ele tomou chuva no caminho pra casa. Eu perguntei como tinha sido o dia dele no serviço e depois ficou tudo bem."
O que eu mais gostava nele era quando a gente pegava ônibus. Ele tinha os ombros largos assim, fortes. E eu achava lindo os ombros sobrando dos lados do encosto do banco. E os cabelos escuros. Hoje ele é quase careca, mas ele tinha os cabelos lindos. Menina, se eu te mostrasse uma foto da época do nosso casamento, quando a gente foi pra praia, você não ía acreditar!
Nós ainda somos apaixonados. São 33 anos de casados depois de 9 e meio de namoro. E eu continuo apaixonada por ele. Sabe o que eu gosto no meu marido? O cheiro da pele. Eu gosto do cheiro da pele dele. Sabe que quando ele dorme e vira de costas, eu não viro as costas pra ele. Às vezes eu aproximo o rosto só pra sentir o cheiro da pele.
Ele é o homem da minha vida. Não vou dizer que tudo é perfeito, nós somos um casal. Ontem mesmo ele estava afoito, sabe quando a pessoa fica andando de um lado para o outro da casa sem saber o que tem de errado? Nós sempre tomamos café juntos quando eu chego do trabalho e ele esqueceu de comprar pão, daí me perguntou se podia por a mesa do jantar. Eu falei 'Marido, mas eu nem coloquei o arroz no fogo ainda!'. Mas acho que era só porque estava chovendo e ele tomou chuva no caminho pra casa. Eu perguntei como tinha sido o dia dele no serviço e depois ficou tudo bem."
4.10.10
a culpa é de mercúrio
se não me equilibro nos meus pés, não me encontro nos meus sonhos, não me conformo com dizeres, não me adapto ao que eu sou, culpo mercúrio. se não sei guardar meus segredos, não sei agir conforme planejo, pulo as melhores partes, faço exatamente o contrário do que meu impulso me diz, culpo mercúrio.
se uso os astros pra justificar qualquer traço da minha personalidade que tenho preguiça de controlar, me culpo e só.
se uso os astros pra justificar qualquer traço da minha personalidade que tenho preguiça de controlar, me culpo e só.
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