22.1.10

the hardest thing I've ever done is keep beliving there's someone in this crazy world for me. the way that people come and go through temporary lives, my chance could come and I might never know. I used to say no promises, let's keep it simple. but freedom only helps you say goodbye. it took a while for me to learn that nothing comes for free, the price I've paid is high enough for me. I know I need to be in love, I know I've wasted too much time. I know I ask perfection of a quite imperfect world, and fool enough to think that's what I'll find. so here I am with pockets full of good intentions, but none of them will comfort me tonight. I'm wide awake at 4 am, without a friend in sight, hanging on a hoop, but I'm all right.

Carpenters

2.1.10

medo

das longas durações, das curtas distâncias, do compromisso, da liberdade, de ser invisível, de perder a discrição, das noites insones, de dormir pra sempre, de falar demais, de acabar o assunto, de perder a viagem e me perder. medo da febre, do frio, da ressaca, da sobriedade, do preto, do branco, mais ainda do cinza. medo de não ter chão, medo de não voar. tenho medo da intimidade, das relações de aparência, do escuro e da claridade, portas e janelas, vida e caos. medo de respirar em público, de conversas sobre mim que eu não consigo ouvir, de sentar de costas para o fluxo de pessoas, de tocar maçanetas após lavar as mãos, de não enxergar conhecidos, de não cumprimentar e ser antipática. medo da morte próxima, medo de viver demais. medo do nunca e do pra sempre.
medo de ter medos demais e não sobrar nada para gostar de verdade. medo de escrever tanto essa palavra e não sobrar espaço pras outras, e ter medo sem saber do quê.

25.12.09

oração

primeiro se esqueceu da oração: era um pai nosso e ela começou um ave maria. depois errou a parte do pão nosso de cada dia e não conseguiu continuar. surgiu um riso, e outro. a criança voltou sua concentração para o presente colorido. mais risos. fechei os olhos e ouvi suas palavras embargadas de uísque e mágoa. não era engraçado. eu só não queria sentir o clima de almodóvar decadente, o sangue árabe começando a pulsar latino, as visitas um pouco constrangidas por não conhecerem o lado da família que se esconde na imagem perfeita.
então voltamos a fingir que o álcool não incomoda, que a morte não se aproxima, que o inconveniente não enlouquece, que não é insuportável pisar em ovos e manter tradições ridículas ao invés de resolver um problema. um brinde à falsidade! oremos à hipocrisia! todos se levantem, porque é meia-noite e hoje nós somos cristãos! vamos lá, não é bom manter a pose e sorrir sorrisos plásticos? não é bom quando dizem ter inveja da nossa união, da família exemplar?
um brinde ao uísque que a mantém em pé e derruba todos os outros à sua volta. uma reverência ao frágil cordão que ampara o que esteve prestes a cair desde que surgiu. oremos por um natal de paz.

11.12.09

estou me equilibrando em pontas finas, quinas, sapatilhas. por favor, não me deixe cair.

1.12.09

um sopro e o castelo se desfez
areia, sal, restos misturados ao vento
o azul mar/céu se fundia ao meio
os cabelos queriam ser sal, queriam voar
as mãos queriam ser areia, queriam dançar
e a parte de mim que nada queria, voava e dançava.
involuntariamente resto.

23.11.09

cílios

queria eu ter boa visão
e ter certeza que podes me ver
assistir tuas pálpebras se movendo
cima, baixo, cima, baixo
teus cílios passeando...
tua íris refletindo meu sorriso que é dos teus olhos.

20.11.09

não sei se foi a tequila, a falta de luz ou a sobra de gente.
não sei se foi você chegando. não sei se foi você saindo.
sei que de um segundo para o próximo eu fui outra.
sei que sempre sou outra quando te descubro perto.
você percebe?
viu que estava dançando antes de ficar estática? viu que eu falava antes de ficar muda?
viu que eu era alguém antes de ficar nula?
o sol chegou e não te vi mais, perdi. sempre perco.
sempre te perco antes de te encontrar.

19.11.09

eu quero mas não sei o quê.
eu berro mas não sei porquê.
silencio e grito sem motivo,
sem merecer meus desejos,
sem saber ter vontades,
sem querer meus quereres,
sem ter nada de verdade.

17.11.09

(02:36) T: te sente limitada?
(02:37) L: sim. parece que qualquer liberdade torna a poesia prosa. daí desisto e escrevo o de sempre, que não é poesia, não é prosa, não é frase, não é conto. eu não sei o nome do que escrevo.
(02:38) T: acho que é poesia sim
(02:38) L: qual a definição de poesia?
(02:39) T: é o que me faz sentir
(02:42) L: eu gosto mais do que você escreve do que o que eu escrevo. Quando te leio, me sinto uma farsa.
(02:43) T: e eu me sinto prolixo quando te leio
(02:44) L: você descreve as coisas com perfeição. eu cuspo palavras.
(02:45) T: tu cospe sentimentos, eu enfeito mentiras
(02:46) L: meus sentimentos podem ser mentiras
(02:46) T: são?
(02:46) L: eu acho que eu não sinto. é possivel?
(02:47) T: não
(02:47) T: eu acho que tu não tens espaço
(02:48) T: eu acho que a tua solidão é pequena demais pra ti
(02:48) L: e se demorar demais pra eu sentir? Eu posso me acostumar com isso...
(02:50) T: dá pra se acostumar à infelicidade?
(02:51) T: dá, sim. Mas isso não é pra gente

16.11.09